quinta-feira, 15 de abril de 2010

Chico Xavier: o filme "não compromete"...

Eu não sei qual sua religião. Ou melhor, não sei qual sua fé (acreditem: religião e fé são duas coisas completamente diferentes e que muitas vezes não estão ligadas. Você pode ter fé sem seguir qualquer religião. E pode seguir uma religião sem ter fé).

Eu me considero uma pessoa que tem lá sua fé, mas que não curte seguir religião. Aquele lance institucionalizado, cheio de regras, horários... só prá louvar a Deus, Javé, Alah, Jah, ou qualquer outro nome que você queira dar à força que criou isso tudo que nos cerca. Não importa. Eu não gosto disso. Regras prá falar com Deus? Marco horário com quem? Com o anjo Gabriel? Com são Pedro? Com o pastor?

É muito complicado falar de religião em um país multireligioso, onde muita gente se agarra onde pode prá conseguir um pouco de fé. É o católico indo no centro espírita "só prá receber um passezinho", bispo evangélico fazendo "sessão do descarrego"... e por aí vai.

Eu acho muito válido essa multireligiosidade. Sério! O Brasil é o país que talvez, no mundo, acolha melhor qualquer religião. Judeus convivem com muçulmanos, não existe luta armada entre católicos e protestantes (como existe na Irlanda) ou qualquer outro conflito "grave". Claro, existem os que eu chamo de "cavalos de carga". Sabe aqueles cavalos que puxam carroça e que o dono coloca um limitador de visão prá que o animal só consiga olhar para onde o condutor da carroça puxa a cabeça do animal?

Então. Esse povo é meio cego, só vê o que lhe convém (ou o que o líder religioso sopra em seus ouvidos), e muitas das vezes não é só com a religião... é com tudo no dia-a-dia. E no campo religioso isso acaba uma hora causando certas polêmicas que não ajudam em nada na compreenção dos chamados "mistérios divinos" (post tá cheio de aspas, né?)... por isso é complicado falar de religião no Brasil. Existe a intolerância religiosa, mas ela é como o racismo: está escondida.

Mas enfim, eu quero falar do filme do Chico Xavier!


Quando eu disse no título do post que o filme não compromete, eu quis dizer que roteirista(s), diretor e atores preferiram não polemizar em cima da figura do médium. Simplesmente escreveram, atuaram e dirigiram o suficiente para contar a vida de Chico Xavier. E só.

Evitaram polêmicas. Que elas apareçam na cabeça de quem viu o filme, pois apesar de não tratar os temas polêmicos que envolvem o espiritismo de forma direta, jogando-os na nossa cara, eles estão ali. É o padre que acha que o Chico inicialmente tinha problemas com o demônio, mas com o tempo entende que o rapaz só pensava em fazer o bem (e só o fazia), compreende (em parte) a espiritualidade do jovem mas não abre mão de suas convicções religiosas.

É a família (principalmente o pai) do Chico tentando ganhar uns trocados com a mediunidade, são os dois repórteres que vão à casa do Chico, um falando um português com sotaque inglês de padaria e o outro falando um francês rocambolesco que tentam enganar Chico fazendo perguntas em outros idiomas e o mesmo psicografando as respostas NOS IDIOMAS DAS PERGUNTAS (sem nunca ter falado outra língua) e mesmo assim os caras achando que era tudo falsidade.

É o pai que não acredita na psicografia do médium e recebe uma carta do filho falecido com detalhes que ele (Chico Xavier) JAMAIS teria conhecimento, a não ser que alguém da família, que também já faleceu, tivesse contado.

Assim foi a vida do Chico. Cheia de desafios à sua fé e de dúvidas dos que o cercavam buscando alguma coisa além de palavras de esperança. Sim, quando falamos de espiritismo nós também falamos de fé e esperança, mesmo que muitos não considerem o espiritismo uma religião. Quem segue o espiritismo (qualquer vertente "boa") acredita em Deus. Por isso eu não entendo esse certo preconceito que muitas pessoas tem com a doutrina espírita. Acham que é coisa do demônio, que está longe dos desígnios divinos, blábláblá queimou a vela de sete dias e evaporou a água do rio Jordão que o pastor trouxe lá de Jerusalém...

Mesmo reclamando da falta da discussão "religiosa" de forma explícita no filme, eu acho que o mesmo é válido demais! Porque conta a vida de um homem que só quis fazer o bem, não importando a quem! E ficou um filme leve, com muitos momentos de um humor fino, não debochado (como eu fiquei com medo que fizessem deboche de algumas passagens da vida do Chico) e que merece ser visto por todos (até os xiitas de suas respectivas religiões).

Porque você pode burocratizar sua fé, mas bondade não tem hora!

2 comentários:

  1. Valeu! Demorei 10 dias, entre ver o filme e sentar prá escrever o post... mas acho que ficou bom! =)

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Seguinte: essa bagaça é moderada, mas não tenha medo de comentar. Mas se você xingar a mãe alheia (principalmente a minha) eu dificilmente vou aprovar seu comentário.

No mais, senta o dedo nessa porra!